Quarta-feira |

Reflexões - Minha Vocação

É um pouco difícil dizer foi assim ou assim que senti o chamado de Deus na minha vida. Quando foi o seu primeiro toque, eu não saberia contar com precisão. Acredito que ainda era bem pequena quando isso aconteceu, e não foi de uma forma extraordinária, foi simplesmente acontecendo, principalmente através da figura da minha mãe, que para mim sempre foi um sinal do amor de Deus, na sua simplicidade, ternura, paciência e humanidade.

Ela me incentivou participar da Igreja, da catequese e do grupo de jovens na comunidade. Falava de Deus para nós e gostávamos de escutá-la.

Minha mãe adoeceu e aos trinta e seis anos foi morar com Deus.

Começa uma nova etapa da minha vida, marcada por revoltas, mas também, posso dizer de um pequeno crescimento, no sentido de perceber a vida como um constante desapegar-se e um processo de preencher-se totalmente de Deus, pois só Ele pode nos sustentar e nos manter de pé.

Foi um longo itinerário para voltar para Deus e para a Comunidade.

Meu pai saía para o trabalho, eu precisei parar por um tempo os estudos para ajudar nos afazeres domésticos e cuidar dos meus irmãos. Logo, meu pai conheceu outra mulher, viúva também e começaram a namorar.

A vida seguia normalmente, conheci rapazes interessantes, às vezes saía com as amigas,... quando conheci uma freira que começou participar da mesma comunidade que eu. Encantei-me por ela, suas vestes, seu modo de agir, de falar,...

Quando o padre rezava a oração vocacional com a comunidade, eu pensava: “Deus chama? Se Ele me chamar, como vou escutar?”

Quando decidi realmente ser freira não tive o apoio do meu pai. Ele ficou sem falar comigo alguns meses, mas hoje ele está muito feliz, porque vê que eu sou feliz.