Quarta-feira |

Reflexões - Irmã Áurea

Morava na roça e estudava na própria fazenda.O dono desta fazenda era católico e construiu uma capela, aonde um padre vinha celebrar a missa a cada três ou quatro meses, onde meus pais e toda a minha família participava.Em certo tempo a filha do fazendeiro começou a preparar as crianças para a primeira comunhão. Entrei e fiz a preparação e com 12 anos recebi a primeira Eucaristia, o que foi para mim a maior alegria!Depois de muitos anos meus pais resolveram mudar para Araraquara, pois na fazenda tínhamos uma vida muito pobre e não havia meios de melhorar a situação da família.Chegando a Araraquara precisávamos procurar trabalho porque não tínhamos nada, só uma pequena casa para morar.Fui trabalhar de doméstica na casa de uma família. Dentro de mim existia uma grande vontade de ser freira, mas não sabia como decidir até que um dia descobri e foi assim:

 A dona da casa em que eu trabalhava me pediu para fazer as compras de verduras na feira que era na praça da Igreja da Santa Cruz.Nessa feira quase sempre encontrava com uma irmã e algumas meninas que sempre carregavam uma cesta no braço.Os feirantes doavam algumas verduras, legumes, frutas etc. à Irmã, quando a cesta estava cheia ela a entregava às duas meninas e elas voltavam para o Orfanato enquanto a irmã continuava passando nas bancas de verduras com as outras meninas. Achei isso lindo, quero dizer, o gesto de servir, tanto da Irmã como dos feirantes, pois esse era um meio de manter o orfanato. Nesse simples gesto, Deus me tocou e pensei: “Quero ser freira, a próxima vez que eu me encontrar com a Irmã vou perguntar como devo fazer para entrar no convento”. Após minha decisão a Irmã me orientou, fui ao Coleginho (hoje Externato) e conversei com a mestra, a irmã que acompanhava as meninas. E foi assim decidi que queria me consagrar totalmente a Deus na Vida Religiosa.

 

Obrigada Senhor por ter me escolhido!

 

Irmã Áurea Bertho